Perguntei ao
espelho o porquê da minha tristeza
Se notou que estava
diferente, se me reconhecia
Respondeu-me que
pareço ter ainda a mesma beleza
Mas sofro,
indubitavelmente, de pura melancolia
Perguntei ao
espelho porque tenho ânsia de chorar
Sinto que me foge a
vontade de ter alegria
Respondeu-me que
posso querer não acreditar
Mas sofro
diariamente de simples melancolia
Perguntei ao
espelho o porquê do mau feitio
Por vezes a raiva
toma conta do meu dia
Respondeu-me que
posso não ter fastio
Mas sofro,
irremediavelmente, de melancolia
Perguntei ao
espelho porque sinto ingratidão
A minha alma está
fraca e a ficar vazia
Respondeu-me que
posso sentir bater o coração
Mas sofro,
tristemente, de melancolia
