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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Visão Turva

 


Farrapos de nuvens caem incessantemente

Deixam-me a visão turva e inconsistente

Deambulo sem sentido nem orientação

O ar tornou-se gelado, forte e espesso

Sinto-me fria, a qualquer barulho estremeço

A angústia vai tomar conta da minha direção

 

Não consigo controlar nem orientar os meus passos

Oiço gemidos agudos, algo me toca nos braços

O terror toma conta da minha existência

Formou-se um nevoeiro pesado com cheiro a maresia

Arrasto-me com a troupe sem saber a coreografia

Não enxergo a claridade, será isto a demência?


sexta-feira, 14 de maio de 2021

Inútil Papelada

 


Procuro avidamente nas minhas anotações

Recordo-me que já te escrevi angustiada

As palavras que leio não passam de sermões

Necessito reorganizar esta inútil papelada

 

Lembro-me que já tinha anoitecido

A penumbra e o frio estavam de soslaio

Escrevi-te como quem procura algo perdido

Acompanhada pela vivacidade de um catraio

 

Era madrugada quando cessei a escrita

E, juro, guardei nesta gaveta onde procuro

Acredito que o universo por vezes me irrita

Para saber o quanto o meu temperamento é duro

 

Se me lembrasse do que escrevi na missiva

Iria dizer-to até o fôlego me abandonar

Sei apenas que eram frases inofensivas

Escritas para quem, gratuitamente, me quis magoar


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Autor de Estante


Como um fósforo que arde depressa
Assim se resume o meu dia
Por muito que esteja cheia a travessa
A minha alma continua sempre vazia

A tinta da caneta está a chegar ao fim
E ainda não escrevi tudo sobre mim
As folhas do caderno parecem intermináveis
E as ideias decidiram tornar-se dispensáveis

A música que está a tocar na rádio
Lembra-me palavras de um sábio
Deixo a melodia ganhar terreno
E o meu cubículo tornou-se mais sereno

A lua está de quarto minguante
Parece que de tudo me afasto
Um dia chegarei a autor de estante
E o meu livro, de tanto ser lido, ficará gasto

quinta-feira, 22 de março de 2018

Mereço a solidão

Fonte: Google Images

Mereço os dias cinzentos
Porque não espalho felicidade
Mereço todos os meus tormentos
Porque insisto em cultivar a maldade

Mereço a angústia e a insatisfação
Porque não provoco alegria
Mereço sentir a solidão
Porque me deixo ter a alma fria.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Dia da Escuridão

Imagem: Internet

Hoje é o dia da escuridão
Do medo e da solidão
De passar a ponte quebradiça
A angústia veio de mansinho
Apertando o colarinho
Sempre com ar de mestiça

Hoje é o dia da escuridão
De chorar sem ter razão
Até secar a garganta
O rancor trouxe companhia
De seu nome teimosia
Mas que triste planta

Hoje é o dia da escuridão
De respirar com aflição
De aprender a ripostar
Hoje é dia de içar a espada
Não se nasce derrotada
Hoje é dia de lutar.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

SENTIR

Gostava de te contar com calma
Por que hoje me sinto assim
Sinto um vazio na alma
E uma enorme pena de mim

Tenho uma sensação de leveza
Algo superior ao meu ser
Acho que realça a minha beleza
Mas não sei se a quero ter

Sinto-me triste e tão só
Que só me apetece chorar
Até chego a meter dó
Com esta vontade de falar

Ainda não te expliquei
O porquê do meu sofrer
Mas só agora é que eu sei
Que é por não estar a viver

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ILUSÃO

Vivo iludida sem ti
Por compensar minha dor
Quando te tinha não vi
Que desabrochavas em mim o amor.

Vivo iludida, enganada
Meu coração nem desconfia
Que podendo ser amada
Eu vivo nesta agonia.

Esta ilusão que criei
Já não me deixa saber
Que foste quem mais amei
E a única razão de viver.

Não vou percorrer um caminho
Que não sabe guiar meu coração
Prefiro mantê-lo sozinho
Que continuar nesta ilusão.
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