As casas estão
degradadas, já foram bonitas
Os anos não se
compadeceram das suas fitas
O chão nunca
conheceu o asfalto
O abandono causa
algum sobressalto
Os habitantes são
poucos e em idade sábia
A juventude abalou,
inchada em lábia
O lugar que outrora
foi muito apetecido
Está por sua conta,
mas sente-se perdido
Dizem que quando a
alegria se quiser reformar
É ali que vai ver
uma casa para arrendar
Os políticos que
tanto aclamaram nas eleições
Abandonaram-nos à
sorte sem direcções
A aldeia ainda tem
a sua beleza crua
Mas há quem não
goste da verdade nua
Os senhores, ao
domingo, jogam à malha
Juntam-se no largo
da capela, ninguém falha
As senhoras
reúnem-se na casa mais soalheira
Relembram a
mocidade, tão bonita companheira


