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sábado, 5 de setembro de 2020

Abandono Cruel

 


As casas estão degradadas, já foram bonitas

Os anos não se compadeceram das suas fitas

O chão nunca conheceu o asfalto

O abandono causa algum sobressalto

Os habitantes são poucos e em idade sábia

A juventude abalou, inchada em lábia

O lugar que outrora foi muito apetecido

Está por sua conta, mas sente-se perdido

Dizem que quando a alegria se quiser reformar

É ali que vai ver uma casa para arrendar

Os políticos que tanto aclamaram nas eleições

Abandonaram-nos à sorte sem direcções

A aldeia ainda tem a sua beleza crua

Mas há quem não goste da verdade nua

Os senhores, ao domingo, jogam à malha

Juntam-se no largo da capela, ninguém falha

As senhoras reúnem-se na casa mais soalheira

Relembram a mocidade, tão bonita companheira


sexta-feira, 29 de junho de 2018

A carroça quebrou

Fonte: Google Images

A meio do caminho
A carroça quebrou
O burro espertinho
A correr, desertou

O pobre lavrador
Sem o seu sustento
Ficou num clamor
De tamanho tormento

Que faria agora
Com a carroça partida
O jumento por aí fora
Mas que raio de vida

Ao regressar à quinta
Vazio como o ar
A mulher Jacinta
Desatou a perguntar

Depois de tudo explicado
E a tristeza partilhada
Chegava todo derrabado
O jumento pela estrada

Com a ajuda do vizinho
A carroça se consertou
A quem anda por bom caminho
Sempre Deus o ajudou.

sábado, 17 de março de 2018

A menina da cidade

Fonte: Google Images


Ela cresceu no interior
Rodeada de amor
Vizinha da simplicidade
Quando ficou adulta
Ansiava por ser culta
E viver na grande cidade

Sem pesar as duas medidas
Informou-se das partidas
E de comboio abalou
Não se despediu de ninguém
Achou que o fez por bem
E para trás a aldeia ficou

Chegada à dita civilização
Sozinha de mala na mão
Perdeu-se com tanta cultura
Com medo de mostrar as raízes
Não perguntou por directrizes
E viveu a primeira aventura

A vida, agora citadina
Escolhida pela menina
Afinal era contrafeita
O tempo continuou a passar
Mais depressa que devagar
E nem sinal da colheita

A saudade da terrinha
Da calma como vizinha
Ocupa-lhe o pensamento
A cidade não a faz feliz
Não tem a cultura que quis
E o inverno é mais friorento.

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