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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

A tua ausência causa danos

 


Tenho saudades do brilho dos teus olhos

E do toque dos nossos lábios enamorados

Pedaços do teu amor, tomara tê-los aos molhos

A tua falta torna os meus pensamentos pesados

 

Tenho saudades das tuas mãos no meu cabelo

O teu toque suaviza a ânsia de me perder

A tua ausência causa um enorme flagelo

Preciso do teu calor para conseguir aquecer

 

Tenho saudades do carinho partilhado de madrugada

Da alegria quando riamos por coisa nenhuma

Com o vazio do teu corpo fica estranha a almofada

Atiçavas qualquer lume como a seca caruma

 

Tenho saudades de quando chegavas ao final do dia

A ansiedade de te esperar era o melhor combustível

Inocente, não sabia que aos poucos te perdia

A tua companhia acabará por ser substituível


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

De mala feita

 


Sinto saudades da nossa cumplicidade

Em todas as conversas falámos a verdade

E agora o meu coração está incompleto

Juraste união sem leres os termos e condições

O teu jogo foi baseado em trunfos de charlatões

Esmagaste o nosso amor como a um simples insecto

 

Precisei do teu abraço que me rodeava

Do teu sorriso que sempre me acalmava

Aprendi a subir os degraus devagarinho

Os nossos lábios deixaram de se tocar

A sede do teu beijo acabou por cessar

Hoje construo eu mesma o meu carinho

 

Sabes que ainda guardo o teu retrato na escrivaninha

Para me lembrar que também sei viver sozinha

Era desnecessário tanto alarido para tão pouca confusão

Saíste pela porta da frente com a mala feita

Foi como se me abandonasse uma qualquer maleita

Deixaste de ter influência no meu coração


segunda-feira, 16 de maio de 2022

O álbum de fotografias

 


Não encontro o álbum de fotografias

Aquele que tu nunca vias

Lembro-me de o ter guardado na gaveta

Naquela cómoda de madeira preta

Hoje bateu uma saudade do passado

Quis reviver um amor já ultrapassado

Olhar aquelas fotografias fazia-me bem

Sentia-me acompanhada e não um zé ninguém

Usávamos sorrisos em todas as fotografias

Afinal estavas a camuflar o amor que não sentias

Tenho a certeza que não mudei de lugar

E tu, com certeza, não as querias encontrar

Agora como vou tapar este vazio no peito

Entrego-me à saudade e choro no leito?


segunda-feira, 11 de abril de 2022

Casa Centenária

 



A casa está degradada, é centenária

Já conheceu gente de muita faixa etária

O tempo não teve isso em consideração

Só resta a fachada, que outrora fora bela

Mas hoje em dia ninguém quer saber dela

Vive o abandono iludida na solidão

 

As silvas querem apropriar-se do que resta

Insistem que é delas o que já não presta

Acabarão por esconder o resto do esqueleto

Os supostos herdeiros de tão antiga moradia

Vivem descaradamente numa responsabilidade fugidia

Assumem um modo de vida a branco e preto

 

O inverno se vier duro e intragável

A pobre fachada ficará miserável

Será o fim de uma história por narrar

Quem te conheceu no passado imponente

Soube reconhecer tão valioso presente

E está a velar-te no céu de estrelas a brilhar


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Lena Costureira

 


A Madalena trata a vida com bastante à vontade

Os anos que carrega permitem-lhe tal liberdade

Desde catraia que aprendeu a lição da costura

E até aos dias de hoje tem sido a sua aventura

Entre tecidos e agulhas, tudo feito à mão

O cuidado continua o mesmo, vem do coração

Hoje com a moda sempre em reboliço

O trabalho é pouco, mas ainda paga o serviço

As vizinhas têm sempre uma bainha para subir

Nem que seja somente para deixar a conversa fluir

É carinhosamente chamada de Lena costureira

Seja arranjo ou novo, o trabalho é de primeira

Nos dias de sol, trabalha de janela aberta

E é vê-la agarrada aos tecidos, a vista sempre esperta

O marido entretém-se no pequeno quintal nas traseiras

Diz que estar parado é pior que calote nas feiras

A Lena há-de costurar até ao último dia

Quem trabalha por gosto, nunca perde a alegria


quinta-feira, 3 de junho de 2021

O amor partiu de manhã

 


Hoje de manhã, o amor fez a mala

Chamou um táxi e esperou na sala

Permaneceu em silêncio, sentado na cadeira

Uma mão no colo outra na algibeira

A noite anterior foi difícil e muito dura

Depois do que foi dito, restou apenas a ruptura

Nenhum de nós quis dar uma nova oportunidade

A lembrança dos bons momentos passou da validade

Olhei-o mais uma vez, encostada à porta

Não retribuiu o olhar, já nada lhe importa

Ouviu-se um apito vindo do exterior

O carro tinha chegado para levar o amor

Pegou na mala e saiu sem dizer adeus

Com o desapego dos que se dizem ateus

Quando chegar ao destino e abrir a mala

Vai ficar surpreendido e até sem fala

Escrevi-lhe uma carta, a despedida possível

Agradecendo o que vivemos, que foi inesquecível


sábado, 14 de março de 2020

A mercearia do Ti António

Imagem: Internet
Na rua mais antiga da minha localidade
Existe uma mercearia, já com muita idade
Ainda se fazem as pesagens à mão
E a balança tem o seu jeito de ladrão
O Ti António é o único merceeiro
Sempre bem-disposto e prazenteiro
Gosto da simplicidade do estabelecimento
Do cheiro a humanidade no atendimento
O pão é sempre fresco e estaladiço
E gosta de vir acompanhado de chouriço
Na mercearia não se conhece o calote
A fruta tira-se directamente do caixote
Vende-se a crédito, no livro anotado
Mas só a quem não deixa chegar a fiado
O sorriso do Ti António é o cartão de visita
Embrulha o bacalhau amarrado com uma fita
Ainda não aderiu às novas tecnologias
Só quando for obrigado a tais ideologias
Os miúdos deliram com tanto rebuçado
Bem acamadinhos num cartucho de papel acastanhado
Fecha a loja cedo, no horário de inverno
Mas às sete da manhã já faz contas no caderno
A mercearia do Ti António um dia vai fazer falta
Quando a, por agora fraca, mentalidade da malta
Reconhecer que um simples bom dia sorridente
Fazem valer até um aumento do preço corrente

domingo, 24 de novembro de 2019

O teu nome no muro

Pintei num muro de uma rua vazia
O teu nome em tinta colorida
Não percebi porque o fazia
Mas na altura soube-me pela vida

Duvido que alguém o vá ler
A rua é mais deserta que o teu coração
Na altura pareceu-me certo escrever
E o teu nome foi a mais rápida opção

Se algum dia passares por cá
Demora-te junto ao muro riscado
O meu amor parece que ficou por lá
Junto ao nome que o deixou abandonado

A letra foi a melhor que consegui
Também não merecias muito melhor
Depois de tudo o que por ti sofri
Tiveste sorte em não ter feito pior

Até que as intempéries tudo apaguem
O teu nome estará sempre visível
As pedras do muro, agora sabem
Que, infelizmente, és substituível

sábado, 29 de dezembro de 2018

Tu não chegaste

Fonte: Google Images

Esperei sem hora marcada
Pela tua chegada
A saudade era descomunal

Os carros passavam apressados
Nem se desviavam dos lados
Onde eu estava por sinal

A tarde chegou ao fim
E eu com pena de mim
Obriguei-me a ir embora

Tu não ias chegar
Nem te dignaste a avisar
Aqui o teu amor já não mora.

sábado, 17 de março de 2018

A menina da cidade

Fonte: Google Images


Ela cresceu no interior
Rodeada de amor
Vizinha da simplicidade
Quando ficou adulta
Ansiava por ser culta
E viver na grande cidade

Sem pesar as duas medidas
Informou-se das partidas
E de comboio abalou
Não se despediu de ninguém
Achou que o fez por bem
E para trás a aldeia ficou

Chegada à dita civilização
Sozinha de mala na mão
Perdeu-se com tanta cultura
Com medo de mostrar as raízes
Não perguntou por directrizes
E viveu a primeira aventura

A vida, agora citadina
Escolhida pela menina
Afinal era contrafeita
O tempo continuou a passar
Mais depressa que devagar
E nem sinal da colheita

A saudade da terrinha
Da calma como vizinha
Ocupa-lhe o pensamento
A cidade não a faz feliz
Não tem a cultura que quis
E o inverno é mais friorento.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Diz-me que te faço falta

Imagem retirada da internet

Telefona-me quando a noite for alta
A dizer que não consegues dormir
Justifica que te faço falta
E sem mim não podes descomprimir

Prova que a minha ausência
É pior que a noite gelada
Faço parte da tua existência
Admite, sem mim não és nada

Estares privado de mim
Torna-te disfuncional
Não precisa ser sempre assim
Basta te regeres pelo manual.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Bateu uma Saudade

(Imagem retirada da internet)

Bateu uma saudade do antigamente
Do tempo a passar vagarosamente
Dos dias que não precisavam correr
Bateu uma saudade do meu velho relógio
Merecia ter levado um necrológio
Quando decidiu parar de bater

Juro que os ponteiros não aceleravam
Nem sequer se atropelavam
Com pressa de chegarem primeiro
Bateu uma saudade da lentidão
Que demorava a chegar o verão
Hoje o tempo virou trambiqueiro

Que emoção aguardar aquela carta
O carteiro vinha de mala farta
Até o envelope era guardado
Falava-se mais com a vizinha
Frente a frente, não pela telinha
Bateu uma saudade de ser antiquado.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Só preciso de ti



No dia que amanhece gelado
E de semblante carregado
Sinto falta do teu conforto
No comboio que decidiu atrasar
E nem se dignou a avisar
Sinto falta do teu jeito absorto

Hoje não fiz pausa para almoço
Ninguém fez nenhum alvoroço
Preciso da tua companhia
Atrasei-me para o jantar
Não é que fosse alguém lá estar
Preciso que afastes a melancolia

Sabes que choveu a potes
Parecia que nem mil chicotes
A açoitar quem tristemente passava
Sabes que nem senti nada
Muito menos que estava molhada
Era só de ti que eu precisava.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A Saudade é minha Inquilina

Imagem: internet

A saudade é minha inquilina
Sem contrato de arrendamento
Tem sempre a mesma rotina
Qual freira num convento

Passa o dia inteiro sisuda
Diz que se sente sozinha
Age que nem uma miúda
Com aparência de mulherzinha

À noite insiste em falar
Conta sempre a mesma história
Saudade, deixa-me descansar
E adormecer a minha memória

Não vou renovar o contrato
A saudade tem que compreender
É tempo de terminar o trato
Saudade, tens que desaparecer

Não quero ter-te como amiga
Nem ver-te diariamente
Não quero causar intriga
Mas chateias muita gente

Vai saudade, toma outro rumo
Já ficaste tempo demais
Expirou a data de consumo
É tempo de levantares arraiais.

                                                                      

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Não leves o meu Amor

Imagem: Internet


Se chegarmos a dizer adeus
Vou pedir a Deus
Que me venha amparar
Se já não quiseres dividir a dois
O que seria o nosso depois
Vou deixar a tristeza me levar

Se levares o meu amor contigo
Vou viver em constante perigo
Nem vou saber levar a vida
Promete que demoras um bocadinho
Que me deixas só um pouquinho
Para eu não me sentir perdida

Vais soltar assim no mundo
Um sentimento tão profundo
Por pura inquietação?
Tem cuidado com o que queres
E a quem os golpes desferes
Não queiras viver em contra-mão.

                                                                       


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Os Putos da minha Infância


Os putos de antigamente
Agiam mais coerentemente
Sabiam brincar de verdade
Os putos de outros tempos
Apreciavam os bons momentos
Conheciam o valor da liberdade

Os putos do meu passado
Percebiam o “ser educado”
Eram felizes com o que tinham
Os putos da minha infância
Tinham outra elegância
E orgulho de onde vinham

Os putos com que cresci
Com que brinquei e aprendi
Brincavam como ninguém
Os putos que já cresceram
E sabem de onde vieram
Acabaram por ser alguém.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Em memória de J.O.M.


(imagem retirada da internet)


Homem lutador, persistente,
Desportista e competente
Desistir nunca foi o seu lema
Construiu o seu mundo
Com sentimento profundo
Sempre fiel ao seu sistema

Pai, marido, filho e irmão
Sempre pronto a dar a mão
A quem a ele recorria
Sentido de humor apurado
A gargalhada era o seu fado
E o seu trunfo a alegria

Os dias ainda doem a passar
Não quiseram regressar
Ao tempo em que os preenchias
A saudade ainda não adormeceu
Porque ainda não esqueceu
O amor com que nos protegias

Até que nos voltemos a ver
Vamos tentando aprender
A caminhar sem os teus passos
Agora falamos-te em oração
Palavras que saem do coração
Ficando a faltar os teus abraços

Vai ficar para sempre gravado
O sorriso e o cuidado
Daquele que tanto nos ensinou
Quem viveu intensamente
Apesar de partir precocemente
Continua a viver naqueles que criou.
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