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terça-feira, 22 de março de 2011

NO ALTO DA COLINA


No alto da colina
Quase a tocar o céu
Senti-me como uma menina
Que pensa que o mundo todo é seu.

O vento que me tocava o rosto
Murmurava palavras sem sentido
Acredito e até aposto
Que eram lamúrias de um coração perdido.

Sentei-me a olhar o infinito
Desejando ficar assim o resto da vida
Sentir a terra debaixo dos pés
Sem ter agendada nenhuma partida.

As flores silvestres que me rodeavam
E me faziam sentir que ali era o meu lugar
Se eu quisesse até falavam
Para eu ter alguém com quem conversar.

E lá no alto da minha esperança
Como quem espera o entardecer
Adormeci como uma criança
Que cansada se deixa vencer.

quarta-feira, 2 de março de 2011

PEDI AO POMBO-CORREIO


Convenci um pombo-correio
a ajudar-me no meu devaneio.
Consegui que te levasse um recado
e lá foi o meu amor na sua pata amarrado.
Esperei horas sem fim
que voltasse com uma resposta para mim.
Mas por mais que esperasse
não via sinal que o pombo chegasse.
Cheguei a temer o pior,
que se havia perdido, junto com o meu amor.
Mas numa manhã em que chorava o céu
lá chegou o pombo com um recado teu.
Meus olhos não queriam crer
no que acabavam de me trazer.
Numa folha de papel vulgar,
comecei a ler o que me querias falar.
“Retribuo o amor que recebi,
minha alma vive agora para ti.
Te envio o que de melhor te posso dar
Obrigado por me saberes amar!”
No verso do papel que tinha na mão
vi desenhado a vermelho um coração.
Meus olhos não conseguiram conter
a alegria que o pombo me veio trazer.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Gostava, amor..."

(imagem retirada de kboing.com.br)

Gostava que viesses, amor
ao entardecer à minha janela
que me dissesses palavras com sabor
e me achasses de todas a mais bela.


Gostava que segurasses a minha mão
como quem respira para sobreviver
sabes, amor, que só assim meu coração
conseguiria calmamente adormecer.


Gostava que os teus lábios nos meus tocassem
e nos perdessemos num sonho enamorado
sabes que se os meus olhos falassem
só falariam de ti em todo o lado.


Gostava, amor, que tivesses conhecimento
do amor que habita no meu peito
és tu quem preenche cada momento
desde que acordo, até quando me deito.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

LEMBRO-ME (A ESCOLA)



Lembro-me do primeiro dia de escola
Do medo da emancipação
Lembro-me da cor da minha sacola,
Do lápis, da borracha, do bater do coração.

Lembro-me de me sentir grande
Naquele tão pequeno começo de vida
Lembro-me de achar tão longo o caminho
Mas de o fazer altiva, decidida!

Lembro-me do cheiro da minha carteira,
do barulho do choro das outras crianças
Lembro-me da cor da lapiseira
Com que comecei a escrever a esperança.

Lembro-me da campainha que tocava,
pela emoção ao acabar mais um dia
Lembro-me de como depressa passava
O recreio onde brincava e tudo podia.

Lembro-me de me lembrar como seria
Lembrar-me daquele passado tão inocente
Lembro-me de pensar se estaria
Triste, com saudades ou diferente.

Lembro-me do último dia de escola
Das saudades que ainda não tinham chegado
Lembro-me do cheiro da minha sacola
Ao deixar para trás um pouco do meu passado.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



Apareceste na minha rua
Num dia em que o céu chorava
Esqueces-te que já não sou tua
E que por ti já nenhum sentimento restava

Quiseste comigo falar
Para dizer o que já não quero ouvir
Por piedade resolvi aceitar
Para mais uma vez te ver a mentir

Os teus gestos eram tão poucos
Tão simples, tão sem noção
Forçaste-me a fazer ouvidos moucos
Ao que chamas de pedido de perdão

Com tanta conversa sem sentido
Nem te preocupaste em ser verdadeiro
Aceita, és um caso perdido
Mas não serás o último, nem foste o primeiro

Disseste adeus e foste embora
Admitiste ter sido vencido
Desejei-te o melhor pela vida fora
E que nunca dês nada por garantido

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SER POETA



Ser poeta é ser actor
sem filme onde representar
ser poeta é sofrer de amor
quando nem sequer se sabe amar

Ser poeta é ser mentiroso
porque nas mentiras pode haver verdade
ser poeta é compartilhar a vida
e mesmo assim morrer de saudade

Ser poeta é não saber falar
porque a escrever o mundo é maior
ser poeta é alimentar os dias a pensar
porque assim as palavras saem melhor

Ser poeta é estar doente
sem dor nem mal se sentir
ser poeta é ser confidente
dos fantasmas que nos insistem em perseguir

Ser poeta é lutar desarmado
numa guerra que nos invade a cabeça
ser poeta é viver isolado
sem a ilusão de que alguém apareça

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AMOR, QUERO A TUA PRESENÇA

Se eu te pudesse alcançar
E em ti tocassem meus dedos
Sentias todo o meu ser
Desvendavas meus segredos.

Em cada gota de chuva que cai do céu
Gostaria que levasse um recado meu
E ao cair em teu rosto sem pedir licença
Diria-te “Amor quero a tua presença”.

Diz-me coisas sobre ti
Fala-me, quero-te ouvir
Pois teu mundo agora é o meu
Entrei sem querer, sem te pedir.

Por que causaste em mim
Estranho sentido de dependência
És o meu néctar da vida
Minha tortura, minha eloquência

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Olha amor, por que não partimos
Sem destino, nem mapa na mão
Iremos como um simples menino
Que faz rodar o seu bonito pião

Olha amor, se à beira da estrada
Encontrarmos um pouco de cansaço
Promete que pensamos duas vezes
Antes de darmos ao nosso caminho um pouco de espaço

Olha amor, se à noite as estrelas
Se negarem a brilhar
Não te assustes, nem te desiludas
Porque o que nos une, basta para nos iluminar

Vais ver amor, que no fim do caminho
Para o qual não traçámos direcção
Vai ser tão simples como nas mãos de um menino
Que sorrindo guarda o seu pião

terça-feira, 23 de junho de 2009

FALANDO A MEU AMOR

(imagem retirada de florselvagem.blogger)

Amor olha-me nos olhos
E diz-me com sinceridade
Se foi traçado o nosso destino
Ou se forçámos a realidade

Amor quando me tocas
Tocas minha alma e meu coração
Aceito se um dia decidires
Seguir teu rumo noutra direcção

Se te concedessem três desejos
Amor diz-me o que escolhias?
Espera, não digas tudo
Diz apenas que me incluías!

Admiro Amor tua paciência
Com os meus delírios banais
E confesso que a maior parte deles
São do mimo que me dás a mais

Amor se eu errar na estrada
E sentir que estou à deriva
Vou recorrer ao teu instinto
Porque a meta não é definitiva

Há dias em que o meu sol
Não te ilumina o suficiente
Mas Amor nunca te esqueças
Que a chuva também pode ser quente

Assumimos lado a lado
Um trajecto de ternura
Amor, promete que se acabar
Não injuriamos a nossa aventura

Falar contigo Amor
Provoca-me um estado de lucidez
Hoje, amanhã, eternamente
Amo-te como da primeira vez!

domingo, 27 de julho de 2008

ADMIRADOR

Recebi pelo correio
A mais bela carta de amor
Desconheço donde ela veio
E desconheço o seu autor

Logo na primeira linha
Prendeu o meu coração
Começava com “Amor és minha...”
E ia desvendando a sua paixão

Chorei a meio da carta
Quando li que por mim sofria
Que um dia sem me poder ver
Era o que mais temia

Não me quis dizer o seu nome
Nem para onde lhe responder
Disse-me que todas as noites
Pensa em mim antes de adormecer

Despediu-se com tal ternura
Que acho que não mereço
Disse: “És a única cura
Para este mal de que padeço”

domingo, 11 de maio de 2008

HABITUEI-ME A TI

Habituei-me ao teu toque
Ao teu beijo, ao teu falar
Pede-me um só desejo
E é só teu o meu olhar.

Habituei-me ao teu sorriso
Ao teu ser, à tua essência
Morro por ti, se for preciso
Minha vida, minha demência.

Habituei-me a partilhar
Cada momento contigo
E nesta escola do “saber amar”
O “eu” não existe, é um perigo.

Habituei-me ao teu silêncio
Aos teus olhos, que tortura!
Tenho medo que se te perder
Inconsciente me entregue à loucura.

sábado, 26 de abril de 2008

ILUDE-ME

Diz-me que o tempo não passa
Quando estás ao pé de mim
Mas por mais que diga ou faça
Sei que não é bem assim

Diz-me que o Sol não se põe
Só porque te vais embora
E que te posso chamar amor
Quando quero e a qualquer hora

Diz-me que partilhas minha dor
Para o meu coração não se afundar
Diz-me que vais ser o seu mentor
Para o resto da vida o guiar

Diz-me que quando me vires chorar
Não vais sentir pena de mim
Só vais minhas lágrimas enxugar
E deixar meu rosto mesmo assim

LINHAS DE AMOR

Em cima da mesa
Uma folha de papel
Vou-te escrever uma carta
Tão doce quanto mel.

Faltam-me as palavras
Para te poder explicar
Tudo o que me vai na alma
Quero dizer sem falar.

Começo com “Meu amor…”
Depois “és tudo para mim…”
Continuo a derreter-me
O pior vai ser no fim.

“Beijos amor sou só tua
És o meu sol, minha paixão
Manda-me resposta pela lua
Não faças esperar meu coração”.

O MAIS BELO DOS SENTIMENTOS

Amor
É quando te chamo sem sequer falar
E quando te sinto sem sequer te tocar

Amor,
É quando à noite ao olhar o céu
Oiço teus passos e sei que és meu

Amor,
É quando nossas mãos se tocam lentamente
E sei que teu coração vai estar sempre presente

Amor,
É quando te vejo me sinto renascer
Por saber que sem ti não poderia viver.

Amor,
É quando à noite os olhos eu fecho
Ver-te a meu lado sempre protector
E ao acordar sentir o teu beijo
E a tua voz a dizer “Bom dia Amor”.

Amor,
É quando o teu caminho se junta ao meu
Na encruzilhada do nosso sentimento
E juntos seguem a olhar o céu
Sabendo que o mais lindo é cada momento
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