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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O mar é minha testemunha


Junto ao mar com ondas revoltas
Rasguei o livro, já com folhas soltas
O vento ao ver-me assim desesperada
Levou as folhas para longe do nada

A água era gelada, a brisa era forte
Senti o vazio e o cheiro da morte
O mar aceitou ser minha testemunha
Tudo o que alcancei, foi sem nenhuma cunha

A tarde caiu, lenta e demorada
O frio tardou, mas picou a entrada
Antes que a noite me viesse descobrir
Apertei o casaco, parti, sem me despedir

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedi licença à tristeza


Pedi licença à escuridão da madrugada
Para partir um pouco mais cedo
Hoje falta-me ver luz na enseada
Preciso dar um fim a este medo

Pedi licença ao nevoeiro intenso
Para se dissipar com mais rapidez
Eu sei que consigo, mas quanto mais penso
Acabo sempre aliada à pequenez

Pedi licença à tristeza que me acompanha
Sugeri-lhe que tirasse um dia para férias
Finjo que gosto dela, mas faço manha
Causa-me mal-estar e entope-me as artérias

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Torneira a pingar

A torneira do lavatório
Do, já lotado, sanatório
Não pára de pingar
Já chamaram o canalizador
Que não soube qual a dor
Nem qual o mal a tratar

Os pacientes já se habituaram
Nem sequer reclamaram
O pingo não faz muito alarido
O pior, diz a direcção
São os custos de manutenção
Deixa qualquer um espavorido

Arranjaram um chico esperto
Que ao olhar bem de perto
Soube como lhe dar sumiço
Tapa-se a boca da torneira
Com fita-cola ou de outra maneira
E informa-se que está fora de serviço

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