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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedi licença à tristeza


Pedi licença à escuridão da madrugada
Para partir um pouco mais cedo
Hoje falta-me ver luz na enseada
Preciso dar um fim a este medo

Pedi licença ao nevoeiro intenso
Para se dissipar com mais rapidez
Eu sei que consigo, mas quanto mais penso
Acabo sempre aliada à pequenez

Pedi licença à tristeza que me acompanha
Sugeri-lhe que tirasse um dia para férias
Finjo que gosto dela, mas faço manha
Causa-me mal-estar e entope-me as artérias

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A ambição está morta


Perdi a certeza do motivo da minha existência
As dúvidas assolam agora os meus dias
Pergunto-me “como é que tu vivias?”
Se agora pareço entregar-me à decadência

A lista dos prós e contras que elaborei
Já não faz sentido algum para mim
Não aceito que me vou deixar assim
Ter que assumir a todos que não lutei

As ideias baralham-se na minha cabeça
E a organização sempre foi o meu forte
Será desta maneira que irei conhecer a morte?
Espero veementemente que alguém me apareça

Dizem as mentes sempre entendidas
Que amanhã podemos sempre recomeçar
Penso que elas querem mesmo acreditar
Que nunca se irão sentir perdidas

Então amanhã volto à cepa torta
Provavelmente já com tudo resolvido
O futuro certamente estará comprometido
Já que a ambição continua morta

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ninguém lutou


Os teus abraços não me sustentam
Tenho estilhaços que me atormentam
A tua chegada ao final de cada dia
Não me traz a tão aclamada, de nome alegria

Deitado a meu lado olhas o vazio
O silêncio é pesado, escuro e frio
O dia amanhece sem nenhuma meta
O amor adormece sem ambição concreta

Saímos de casa o caminho é diferente
O grito extravasa bem dentro da gente
Não sentimos saudade nem falta nenhuma
É a triste verdade a solidão acostuma

Chegou o momento de ser verdadeiro
Não deixar o tormento ser sempre o primeiro
Há dias assim em que o amor acabou
Inevitável o fim já que ninguém lutou

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dor em isolamento


Isolei a minha dor
Porque é ensurdecedor
O barulho que ela faz
Enquanto estiver isolada
Deixa a alma sossegada
E dá-me um pouco de paz

Cinco minutos por dia
Deixo-a vir ao jardim
Ela ao ver-me assim sadia
Insiste em voltar para mim

Por vezes dorme comigo
E é em constante perigo
Que temo adormecer
Tomara que se acostume
E não me ganhe azedume
Pois tenho que a prender

Pelo andar dos tratamentos
Penso acabar com a reclusão
A minha dor tem melhores momentos
E já não me causa habituação

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