Hoje lembrei-me do
passado da minha aldeia
Terra de lavradores,
de eira sempre cheia
As vacas ajudavam a
lavrar a terra poeirenta
Obedientes, faziam
valer a sua ementa
No final do dia de
trabalho, regressavam ao curral
O descanso era
merecido, no dia seguinte seria igual
As batatas eram semeadas
à mão e de costas vergadas
Com a ajuda de quem
repartia as forças combinadas
A vindima era um
rito, digno da terra de agricultores
O fruto da videira
era o manjar dos melhores sabores
Malhar o milho, de
mangual bem erguido
A batida tinha de
ser igual, sem ritmo perdido
Se a colheita era
farta e de boa qualidade
Dividia-se com os
vizinhos, com muita boa vontade
Vida dura, ao sol,
à chuva, com frio e calor
Mãos ressequidas,
com calos e com dor
Saudades daqueles
lavradores de corações bondosos
Viviam da terra e da
sua terra eram orgulhosos
