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sábado, 19 de dezembro de 2020

Terra de Lavradores

 


Hoje lembrei-me do passado da minha aldeia

Terra de lavradores, de eira sempre cheia

As vacas ajudavam a lavrar a terra poeirenta

Obedientes, faziam valer a sua ementa

No final do dia de trabalho, regressavam ao curral

O descanso era merecido, no dia seguinte seria igual

As batatas eram semeadas à mão e de costas vergadas

Com a ajuda de quem repartia as forças combinadas

A vindima era um rito, digno da terra de agricultores

O fruto da videira era o manjar dos melhores sabores

Malhar o milho, de mangual bem erguido

A batida tinha de ser igual, sem ritmo perdido

Se a colheita era farta e de boa qualidade

Dividia-se com os vizinhos, com muita boa vontade

Vida dura, ao sol, à chuva, com frio e calor

Mãos ressequidas, com calos e com dor

Saudades daqueles lavradores de corações bondosos

Viviam da terra e da sua terra eram orgulhosos



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