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terça-feira, 10 de novembro de 2020

É possível ver o Arco-Íris

 



É possível enxergar o arco-íris num dia cinzento

Basta ponderar o que realmente nos faz falta

O sorriso pode nascer de um mau momento

É tão ou mais feliz quem nunca esteve na ribalta

 

É possível fazer frente às adversidades

Basta agarrar os sonhos como agarramos os segredos

Viver, reconhecendo que há sempre tempestades

Torna-nos capazes de derrotar os nossos medos

 

É possível cantar sem conhecer a letra da canção

Basta entoar a melodia que nos alegra o pensamento

De pouca farinha também se faz o pão

É sempre uma mais valia transmitir o conhecimento


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Inaceitável um mundo egoísta

 


Inacreditável como o mundo se encheu de egoísmo

Encaminham propositada e vergonhosamente para o abismo

Aqueles que ainda acreditam no bem sem contrapartida

Inaceitável como fingem desconhecer a necessidade

Riem do fracasso e dos infortúnios da humanidade

Seres em constante, e triste, evolução invertida

 

Vive-se uma escassez de amor despretensioso

Criando-se desmesuradamente um ciclo vicioso

A sede de egoísmo espalha-se sem vigilância

O mundo corre perdido sem mapa de auxílio

Levando consigo egoístas sem domicílio

Que gritam ideais nascidos da ignorância


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Escrever um Poema de Amor

 



Disseram-me que devia escrever, um poema de amor ideal

Melhor tónico não devia haver, para afoguentar qualquer mal

Olhei-os de soslaio, desconfiado de tamanha crendice

Nessa de certeza não caio, já me formei na técnica da aldrabice

 

Falaram-me das maravilhas de um amor digno de romance

Eu ainda desconfio das filhas, que nascem de um só freelance

Pediram com lamechice, escreve sobre um amor eterno

Não faço essa canalhice, inventar um mundo sem inferno

 

Vieram com carga da pesada, um poeta escreve o amor

Estão carregados p’ra nada, não sou poeta nem sequer escritor

Pega na caneta e deixa sair, poemas de amor nunca são demais

Eu não procuro um elixir, tento escrever apenas os meus ideais

 

Disseram-me que devia estar louco, o amor é o que mais vende

Sou pobre nascido com pouco, o que tenho a ninguém ofende

Para já fica ainda na prateleira, o poema de amor irrepreensível

Um dia solto a coleira, e a missão deixará de ser impossível


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